terça-feira, 13 de junho de 2017

Panquecas de banana, aveia e mandioca

Esta é a minha primeira receita para crianças. Na verdade, não é exatamente - já aqui publiquei estas trufas de cacau e feijão preto, a pensar nas crianças diabéticas, ou estes biscoitos de cenoura e chocolate, baseados nas minhas memórias de infância. Mas hoje publico a minha primeira receita para o meu filho, que tem agora oito meses e começou aos seis meses a diversificação alimentar.

Queria muito amamentar exclusivamente até aos seis meses e consegui fazê-lo. Mas estava cheia de vontade de começar a dar outro tipo de alimentos ao bebé e portanto, assim que ele começou a mostrar curiosidade pela nossa comida, comecei a deixá-lo provar algumas coisas. Mas só quando fez seis meses é que começámos realmente a dar-lhe comida, seguindo o método do Baby Led Weaning. No papa for you today!

Este método de introdução aos alimentos é muito divertido e é impressionante ver a rapidez com que o bebé aprendeu a lidar com os sólidos. Em duas semanas, passámos de uma fase em que ele deitava quase tudo para o chão, engasgava-se de vez em quando, desfazia as coisas nas mãos sem as conseguir pôr na boca, para uma outra fase em que come quase tudo o que apanha, com muito menos desperdício, e já não se engasga.

É um prazer vê-lo comer sozinho, explorar as texturas e os sabores, escolher o que lhe agrada mais. E assim podemos comer juntos, em família!

Estas panquecas servem de pequeno-almoço para o pequeno, cortadas em tiras e acompanhadas com fruta (morangos, cerejas e nêsperas são o top 3 do senhor), mas também fazem um excelente pequeno-almoço para adultos, com umas fatias de banana e umas avelãs partidas ou então com coco ralado e um fio de xarope de agave.




Ingredientes:

1 banana bem madura
40 g de farinha de mandioca
65 g de flocos de aveia (certificados sem glúten, para uma versão sem glúten)
1 colher de sopa de sementes de chia
1 colher de sopa de vinagre de sidra
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
Óleo de coco qb


Triturar as sementes de chia e juntar duas colheres de água. Misturar e reservar.

Moer os flocos de aveia até obter farinha-

Esmagar a banana com um garfo. Juntar o vinagre, o bicarbonato e as sementes de chia. Adicionar as farinhas e meia chávena de água e misturar.

Pincelar uma frigideira com óleo de coco. Juntar uma colher de sopa de massa e alisar com a colher ou uma espátula. Dourar de um lado, virar, espalmar com a espátula e dourar do outro.




terça-feira, 23 de maio de 2017

Chutney de ruibarbo e gengibre

O ruibarbo é um ingrediente versátil, que se vê com mais frequência em doces, mas que pode também ser usado em pratos salgados. Este chutney é o casamento perfeito do doce com o salgado e acompanha lindamente todo o tipo de pratos indianos, mas também pode ser servido de formas mais originais - eu pessoalmente adoro-o com legumes verdes cozidos, em vez do tradicional azeite.

A inspiração veio do site Marmiton.




Ingredientes:

500 g de ruibabo
30 g de gengibre
1 cebola pequena
2 colheres de sopa de vinagre balsâmico
3 colheres de sopa de açúcar mascavado escuro
1 colher de café de pimenta da Jamaica
1/2 colher de café de noz moscada
1 colher de café de caril
Óleo de sésamo não tostado
Pimenta
Sal


Cortar o gengibre em tiras finas. Cortar o ruibarbo em pedaços pequenos.

Numa panela anti-aderente, aquecer um fio de óleo de sésamo e dourar o gengibre em lume brando, mexendo sempre.

Ao fim de alguns minutos, adicionar o ruibarbo e duas colheres de sopa de água. Juntar duas colheres de sopa de açúcar e as especiarias e temperar com sal e pimenta.

Tapar a panela e refogar em lume brando até o ruibarbo se desfazer.

Entretanto, picar a cebola e colocar numa panela, juntamente com o vinagre balsâmico e o restante açúcar. Levar a lume brando, juntando uma colher de água de vez em quando para evitar que a temperatura suba demasiado (não é suposto o açúcar caramelizar).

Quando a cebola estiver cozinhada, juntar ao chutney e deixar ainda ao lume mais 10 minutos.

Colocar num frasco hermético e guardar no frigorífico. Servir frio.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Bolo invertido de ruibarbo

Esta receita do Coco & Baunilha chamou-me logo a atenção, visto que o ruibarbo é muito apreciado cá em casa. Assim que pus as mãos numa quantidade generosa do dito, resolvi experimentar este bolinho, que é delicioso. Fiz algumas adaptações à receita original, por isso aqui fica a minha versão.




Ingredientes:

Cobertura

400 g de ruibarbo
120 g de açúcar mascavado escuro
50 ml de óleo de sésamo não tostado
Raspas de meio limão

Bolo

180 g de farinha de espelta integral
100 ml de azeite
70 g de tâmaras secas descaroçadas
2 ovos
200 ml de leite de soja
1 colher de sopa de sumo de limão
1/2 colher de chá de fermento
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 pitada de sal


Numa frigideira anti-aderente, aquecer o óleo, as raspas de limão e o açúcar. Quando começar a borbulhar, juntar o ruibarbo sem o cortar. Ir mexendo de vez em quando, deixando cozinhar em lume brando até caramelizar.

Forrar uma forma de bolo com papel vegetal e dispor o ruibarbo com cuidado. Regar com calda e reservar.

Juntar o leite de soja com o sumo de limão e deixar repousar 10 minutos.

No liquidificador ou processador de alimentos, bater os ovos, o azeite e as tâmaras até obter um creme homogéneo.

Misturar a farinha com o sal, o fermento e o bicarbonato. Adicionar o creme anterior e bater. Juntar o leite de soja e continuar a bater.

Verter a massa na forma. Levar ao forno a 180º durante 40 minutos.



segunda-feira, 1 de maio de 2017

Satay de frango com molho de amendoim

Fui à Malásia quando era criança, nas viagens de férias que fazia com os meus pais. Numa das vezes que visitámos esse belo país, estivémos na região do Bornéu: lembro-me das ilhas onde havia praias desertas paradisíacas, do monte Kinabalu, do resort onde ficámos instalados (por erro do hotel, ficámos na suite real, porque tinham perdido a nossa reserva e todos os outros quartos estavam cheios!) e do satay. É verdade, não me lembro mais nada do que comemos, mas lembro-me do satay.

Estas espetadas cheias de especiarias, acompanhadas com um molho doce delicioso, ficaram-me na memória até hoje. E sempre que posso, volto a elas com prazer. Desta vez segui a receita do Rasa Malaysia.





Ingredientes:

2 peitos de frango

Marinada:

2 colheres de sopa de óleo de sésamo não tostado
1 bolbo de citronela
2 dentes de alho
3 chalotas
1 colher de chá de cúrcuma
1 colher de chá de coentros em pó
1 colher de chá de açúcar mascavado escuro
1 pitada de piri-piri
Sal

Molho de amendoim:

2 colheres de sopa bem cheias de manteiga de amendoim
1 colher de sopa de molho de soja
1 colher de chá de açúcar mascavado escuro
1 colher de sopa bem cheia de polpa de tamarindo
1 noz de gengibre
2 dentes de alho
3 chalotas


Abrir os peitos de frango e bater com o martelo da carne ou o rolo da massa até ficarem finos. Cortar em tiras e reservar.

Juntar todos os ingredientes da marinada no liquidificador. Adicionar um pouco de água e triturar. Juntar à carne e deixar marinar durante 8 horas.

Colocar as tiras de carne em espetos de madeira, previamente demolhados em água. Levar ao forno em função grill durante 10 minutos, virando a meio para uma cozedura homogénea.

Para o molho, juntar a manteiga de amendoim, o molho de soja, o tamarindo e o açúcar numa panela não aderente. Ralar o gengibre e acrescentar à panela, bem como os alhos e as chalotas finamente picados. Adicionar água, mexendo sempre, até obter um creme. Levar a lume brando durante 5 minutos, mexendo sempre.

Servir o molho com as espetadas.



terça-feira, 25 de abril de 2017

Bacalhau com funcho

Uma receita muito antiga, inventada por mim em tempos idos, este bacalhau com funcho faz um prato muito apetitoso para quem aprecia bacalhau. Raramente o cozinho cá em casa, porque tenho um companheiro que não consegue comer bacalhau (depois de passar 4 meses a comer bacalhau várias vezes por semana, com o intuito de experimentar todas as receitas portuguesas com bacalhau, estranhamente, enjoou, quem diria?). Mas hoje cozinhei só para mim e resolvi voltar a esta receita.




Ingredientes:

2 lombos de bacalhau fresco
1 cebola grande
1 cenoura grande
1 bolbo de funcho com a rama
150 ml de nata de soja
Sal
Pimenta
Azeite
Pão ralado qb


Picar a cebola e dourar num fio de azeite. Juntar a cenoura ralada e o funcho fatiado e deixar cozinhar tapado em lume brando até os legumes estarem tenros.

Adicionar o bacalhau cortado em cubos e continuar a cozinhar durante 12 minutos. Retirar do lume, adicionar a nata de soja e duas colheres de sopa bem cheias de rama de funcho. Temperar com sal (se necessário) e pimenta.

Verter a mistura num pirex de ir ao forno. Polvilhar com pão ralado e colocar 5 minutos em função grill para tostar.

Servir com uma salada de tomate.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Garoupa com endívias

Mais uma receita deliciosa do livro de receitas ch'ti. Tenho experimentado e adaptado imensas sugestões deste livro e têm sempre corrido lindamente, proporcionando refeições muito agradáveis e diferentes.

As endívias não são muito usadas em Portugal, mas são o ingrediente icónico da região francesa Le Nord. Podem comer-se com tudo (acho que só ainda não as vi em sobremesas, mas nunca fiando!) e neste caso acompanham - e bem! - uns belos lombos de garoupa.




Ingredientes:

4 endívias
2 lombos de garoupa
2 batatas
1 cebola roxa
100 ml de nata de soja
1 colher de sopa de molho de soja
1 colher de sopa de açúcar mascavado escuro
1 colher de chá de endro
Sal
Pimenta
Azeite


Abrir as endívias ao meio no sentido longitudinal. Dourar num fio de azeite numa panela anti-aderente. Quando estiverem douradas de ambos os lados, acrescentar o açúcar mascavado e deixar caramelizar.

Temperar com sal e pimenta, adicionar meio copo de água e deixar cozinhar durante 20 minutos.

Cozer as batatas com pele. Quando cozida, descascar e cortar em rodelas grossas.

Cortar a cebola em rodelas e dourar num fio de azeite.

Dispor as batatas no fundo de uma travessa de ir ao forno. Por cima, colocar os lombos de garoupa, temperando com sal e pimenta. Distribuir por cima a cebola dourada.

Juntar a nata de soja e o molho de soja. Regar com este molho.

Salpicar com o endro.

Levar ao forno a 200º durante 20 minutos.

sábado, 8 de abril de 2017

Panquecas de grão com beterraba e abacate

Uma receita do blogue Holy Cow! que resultou muito bem, estas panquecas de grão fazem uma base formidável para amontoar o que quer que esteja a passear no frigorífico. Usei molho de tomate caseiro para barrar, mas pode também usar-se molho pesto, maionese normal ou vegan ou outro molho que vos agrade.

Quanto aos toppings, tal como numa pizza, podem ser o que o homem quiser. A mistura da beterraba, do abacate e do creme de caju para nós resultou particularmente bem, fazendo um contraste dos ingredientes quentes com os frios que casa maravilhosamente com estas temperaturas de primavera que agora se fazem sentir.





Ingredientes:


Panquecas

2 chávenas de grão cozido
1 chávena da água de cozedura do grão
1 colher de chá de alho em pó
1 colher de chá de oregãos secos
1/2 colher de chá de cúrcuma
1 pitada de piri-piri
1 colher de chá de sal fino
70 g de farinha de arroz integral

Toppings

Molho de tomate caseiro
2 colheres de sopa de salsa picada
2 beterrabas
4 abacates pequenos
2 cebolos picados
Algumas colheres de creme de caju


Começar por cozer as beterrabas com pele em água abundante.

No liquidificador, colocar os ingredientes das panquecas, menos a farinha de arroz. Triturar até obter um creme.

Verter o creme para uma taça e juntar a farinha. Misturar bem e retificar os temperos, se necessário.

Aquecer duas frigideiras anti-aderentes e pincelar com azeite.

Numa delas, colocar um quarto da mistura das panquecas. Alisar com uma espátula e deixar cozinhar até a parte de baixo estar dourada. Usando a outra frigideira, virar com cuidado e continuar a cozinhar. Reservar, mantendo quente.

Repetir o processo até ter quatro panquecas grandes.

Barrar cada uma das panquecas com o molho de tomate. Salpicar com salsa. Retirar as beterrabas da água, tirar a pele e cortar em cubinhos, que se dispõem sobre as panquecas.

Cortar os abacates em lâminas e dispor sobre as panquecas. Espalhar algumas colheres de creme de caju por cima e salpicar com os cebolos picados.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Pão de alfarroba sem glúten

De todas as receitas de pães sem glúten que já experimentei, esta é definitivamente a minha preferida. Inspirada nesta receita do Vidas sem glúten, fui fazendo alterações até encontrar O pão sem glúten, aquela receita a que recorro sempre e que nunca falha.

O problema dos pães sem glúten é que são muitas vezes demasiado parecidos com bolos, sobretudo quando a receita leva ovos, ou então são demasiado pastosos, porque as farinhas sem glúten não levedam da mesma forma e portanto a massa fica pouco arejada. Às vezes é o sabor que desaponta, quando a combinação das farinhas não funciona tão bem. Testei muitas receitas sem nunca ficar completamente satisfeita.

Pelo contrário, este pão de alfarroba é delicioso, com uma consistência bastante interessante. Para o confecionar, uso isco de trigo integral, visto que os vestígios de glúten que aí se encontram vão ser destruídos pelo processo de levedação (ver este artigo se quiser saber mais). Mas para quem tem doença celíaca e não quer arriscar, aconselho que se fabrique um isco de trigo sarraceno, usando o processo descrito na receita do isco de centeio do blogue Zine de pão.




Noite do dia anterior:


120 g de isco de trigo integral (ou isco de trigo sarraceno)
200 g de flocos de aveia (certificados sem glúten)
200 ml de água tépida


Moer os flocos de aveia até obter farinha. Juntar a farinha com a água e o isco. Misturar bem, tapar com um saco de plástico e deixar repousar durante a noite.


Manhã do dia seguinte:


100 g de fécula de batata
100 g de farinha de mandioca
25 g de farinha de arroz integral
25 g de farinha de trigo sarraceno
50 g de farinha de alfarroba
10 g de goma xantana
6 g de sal fino
1/2 colher de sopa de mel
3 colheres de sopa de azeite
1 colher de sopa de vinagre de sidra
175 g de água tépida


Juntar as farinhas, a goma xantana e o sal. Misturar e abrir uma cova no meio.

À mistura do dia anterior, juntar o azeite, o vinagre, o mel e a água. Misturar com uma colher de pau.

Juntar as duas misturas. Bater na batedeira profissional com a vareta de amassar à velocidade 2 durante alguns minutos, até a massa ter uma consistência homogénea.

Colocar a massa numa forma de bolo inglês. Tapar com um pano húmido e deixar levedar 7 a 8 horas.

Levar ao forno a 220º durante 15 minutos. Baixar a temperatura para 180º e deixar cozer mais 30 minutos. Desligar o forno, retirar o pão da forma e deixar no forno mais 15 minutos.




terça-feira, 4 de abril de 2017

Chowder de pescada

Mais uma adaptação de uma receita de Nigel Slater, que vi já há muitos meses no seu programa televisivo Dish of the Day. Estava guardada para ser experimentada e estes lombos de pescada estavam mesmo a pedi-las.

Chowder é uma sopa americana de peixe e / ou mariscos, feita com leite (neste caso, com leite vegetal). Fica um prato saboroso que vale a pena experimentar.




Ingredientes:

500 g de lombos de pescada
500 ml de leite de soja não açucarado
2 folhas de louro
8 grãos de pimenta preta
1 cebola
1 pastinaga
1 cenoura
1/2 aipo-nabo
1 colher de chá de sementes de mostarda
1 colher de chá de cúrcuma
1 colher de sopa de farinha de arroz
2 colheres de sopa de salsa picada
Sal
Azeite


Colocar o peixe numa panela com o leite de soja, as folhas de louro, os grãos de pimenta grosseiramente esmagados e um pouco de sal e levar ao lume. Deixar fervilhar cinco minutos, retirar do lume e reservar durante meia hora.

Dourar a cebola picada num fio de azeite. Acrescentar os restantes legumes cortados em cubinhos e as especiarias. Baixar o lume e deixar cozinhar até os legumes estarem tenros.

Salpicar a mistura com a farinha e mexer durante dois minutos. Retirar a pescada do leite e reservar. Verter o leite por cima dos legumes e deixar fervilhar alguns minutos até a farinha estar cozida e o líquido tenha ganho alguma espessura. Temperar com sal.

Colocar o peixe na panela apenas o tempo suficiente para voltar a ficar quente. Salpicar com salsa picada e servir.


domingo, 2 de abril de 2017

Queijadas de castanha, cenoura e coco

Inspirada nesta receita do blogue Ratatui dos Pobres, fabriquei esta bela sobremesa, que foi super apreciada num almoço entre amigos.

Ficam uns bolinhos bem suaves, com uma combinação de sabores fantástica.




Ingredientes:

250 g de castanhas (pesadas já sem pele)
250 g de cenouras
1 pau de canela
60 g de óleo de coco + qb para untar as formas
1 colher de sopa de coco ralado
160 g de açúcar mascavado escuro
5 ovos pequenos
70 g de farinha de trigo integral
1 pitada de sal


Cozer as castanhas e as cenouras com um pau de canela e uma pitada de sal.

Escorrer a água, descartar o pau de canela e colocar as castanhas e as cenouras no liquidificador.

Triturar até obter uma pasta. Adicionar então o óleo de coco, o coco ralado, o açúcar, os ovos e a farinha. Triturar tudo muito bem até obter um creme liso.

Untar forminhas com óleo de coco (rende 10 queijadas). Verter o creme nas formas.

Levar ao forno a cozer em banho-maria a 180º durante 35 minutos.

Desenformar e decorar com castanhas cozidas.

terça-feira, 28 de março de 2017

Bolo salgado de legumes e banana verde

Tudo começou com seis bananas verdes na fruteira, que depois de 3 semanas não tinham amadurecido. Rendi-me às evidências - as bananas não iam amadurecer. Já me tinha passado pelos olhos o termo "biomassa de banana verde", aparentemente algo muito saudável, mas na verdade não sabia do que se tratava. Fui então pesquisar, com o intuito de fazer algo das minhas bananas verdes.

Descobri que a biomassa é apenas banana verde cozida e triturada em puré, nada mais simples! Tem muitas utilizações e tem propriedades nutricionais muito interessantes, sobretudo porque funciona como um alimento probiótico, cuidando das bactérias do nosso intestino. Também é um alimento interessante para diabéticos, visto que o amido presente na banana verde (que depois se transforma em açúcar quando a banana amadurece) não é absorvido pelo organismo, o que diminui substancialmente o seu índice glicémico. Este amido funciona então como as fibras, trazendo montes de vantagens para o organismo.

Resolvi então pôr mãos à obra, fazer biomassa e usá-la numa receita. Escolhi este bolo salgado de legumes, que ficou delicioso.





Ingredientes:


Biomassa de banana verde

6 bananas verdes
Água qb

Bolo

100 g de farinha de mandioca
110 g de farinha de arroz integral
130 g de amido de milho
3 colheres de sopa bem cheias de biomassa de banana verde
1 colher de chá de fermento
1 colher de chá de goma xantana
4 ovos pequenos
200 ml de leite de soja não adoçado
1 colher de sopa de sementes de linhaça
1 colher de sopa de vinagre de sidra
1 cebola roxa grande
1/2 pimento vermelho
1/2 alho francês (a parte branca)
1 cenoura
3 colheres de sopa de polpa de tomate
1 colher de sopa de folhas de tomilho
Sementes de sésamo e linhaça para polvilhar
Flor de sal
Pimenta
Azeite


Lavar as bananas. Colocá-las na panela de pressão, cobrindo-as com água. Fechar a panela e levar ao lume até levantar pressão. Deixar cozinhar 10 minutos.

Retirar a polpa das bananas ainda quentes e colocar no liquidificador. Acrescentar água e triturar até obter um creme liso. Guardar no frigorífico num frasco bem fechado (pode também congelar-se para usar mais tarde).

Para o bolo, começar por picar finamente a cebola e dourar num fio de azeite. Entretanto, fatiar o pimento, cortar o alho francês às rodelas e a cenoura em meias luas. Acrescentar os legumes à panela, bem como a polpa de tomate e deixar cozinhar em lume brando.

Quando os legumes estiverem bem cozidos, acrescentar o vinagre e temperar com sal, pimenta, tomilho. Reservar.

No liquidificador, bater os ovos, o leite de soja, três colheres de sopa de biomassa de banana verde e três colheres de sopa de azeite.

Numa taça, juntar as farinhas, o fermento, a goma xantana e as sementes de linhaça. Juntar a mistura anterior e misturar com uma colher de pau. Temperar com sal e pimenta.

Adicionar então os legumes e misturar de novo com a colher de pau. Verter a massa numa forma de bolo inglês e salpicar com sementes de sésamo e linhaça.

Levar ao forno a 180º durante 45 minutos.





quarta-feira, 22 de março de 2017

Tostas de trigo sarraceno com beterraba e creme de tofu

O desafio das Receitas Saudáveis voltou e não podíamos deixar de participar! Desta vez, o Limited Edition propõe-nos pensar sobre o que consideramos uma alimentação / vida saudável.

Não é um assunto fácil - pelo contrário, é um tema que provoca muita polémica e muitas convicções apaixonadas (e por vezes mesmo algum fanatismo). Para mim, uma vida saudável é aquela onde me sinto realizada, contente com a direção que a minha vida leva e satisfeita de modo geral com as decisões que tomo a cada dia, nomeadamente aquelas que implicam diretamente com o cuidado que tenho comigo e com a minha família.

Em termos de alimentação, acredito que cada pessoa tem que informar-se, ouvir o seu corpo e encontrar a sua própria forma de comer, aquela que é boa para si (para o corpo e para a mente, porque os dois não se podem dissociar) e que lhe faz sentido.

E como é que isso se concretiza? Na minha vida, é algo que foi mudando com o tempo, à medida que a idade foi avançando, com novas experiências na vida, com novas investigações que vêm a lume e de que tomo conhecimento, que me convencem a mudar isto ou aquilo na minha alimentação. O diagnóstico da minha intolerância à lactose foi uma grande mudança na minha vida, porque obrigou a toda uma nova organização da alimentação cá em casa. A chegada à minha vida do meu companheiro foi outra transformação. Mais tarde, a vivência da gravidez e a chegada de um bebé também me levaram a alterações importantes.

Neste momento, uma alimentação saudável para mim é aquela que se baseia maioritariamente em produtos biológicos, o mais diversificados possível (vou sempre à procura do legume que nunca experimentei ou da fruta que como menos vezes), alimentos não processados, sopa ao almoço e ao jantar durante todo o ano,  uma quantidade controlada de hidratos de carbono, utilização de gorduras "do bem" (azeite, óleos vegetais não refinados processados a frio, óleo de coco, frutos secos, abacate), pouco açúcar (uso muitas vezes o açúcar da fruta ou de alguns legumes, conjuntamente com um toque de stevia granulada, quando faço doces cá em casa), uma quantidade moderada de sal.

Com a gravidez e a amamentação aumentei a ingestão de proteína animal, complementando-a na refeição seguinte com proteína vegetal, vinda sobretudo do tofu e das leguminosas. Mas em tempos normais, a carne e o peixe aparecem no menu cá de casa duas a três vezes por semana, e as refeições restantes são vegetarianas, à base de ovos, ou claramente vegan. Para compensar, atualmente o álcool não tem lugar no meu regime alimentar, mas assim que deixar de amamentar, um ou dois copos de vinho ao sábado à noite não me escapam!

Claro que nada disto faz sentido se não for acompanhado com uma boa quantidade de alegria e entusiasmo, com relações emocionais que nos enchem as medidas, com uma dose importante de prazer, para contrabalançar as dores que sempre vamos vivendo na vida.

Por isso é que não deixámos de receber pessoas em casa, mesmo com um bebé pequeno, e com receitas surpreendentes, saborosas e saudáveis! Muitas vezes as pessoas associam o saudável ao desenxabido - estas tostas com creme de tofu e beterraba vêm contrariar totalmente isso. Os sabores são fortes e o visual conta muito - porque já se sabe que os olhos também comem!

Uma outra versão fantástica destas tostas surge quando se substitui a beterraba por abacate. Uma delícia!

Se quiserem também participar neste desafio, basta enviarem um email para lim.edition2012@gmail.com. Se reproduzirem na vossa cozinha esta proposta ou outras do desafio, utilizem o #desafioreceitasaudável e partilhem as vossas versões e interpretações. Vamos contribuir para um estilo de vida mais saudável, que passa pela comida, mas não se esgota nela!






Ingredientes:


2 beterrabas
Sal
Pimenta

Tostas (adaptado do Our Food Stories)

125 g de farinha de trigo sarraceno
125 g de flocos de trigo sarraceno
50 g de sementes de girassol
50 g de sementes de sésamo
80 g de sementes de linhaça
20 g de sementes de papoila
1 colher de chá de sal fino
2 colheres de sopa de azeite
350 ml de água

Creme de tofu (adaptado do Booklet de queijos vegan da Gopal)

200 g de tofu
75 ml de azeite
1/2 colher de chá de poejo seco
1/2 colher de chá de oregãos secos
1/2 colher de chá de alho em pó
1/2 colher de chá de flor de sal
50 ml de água
1 pitada de açúcar mascavado escuro


Cozer as beterrabas em água a ferver. Depois de cozidas, tirar a pele e cortar em fatias grossas. Com um cortador de bolachas, cortar as formas desejadas e reservar.

No liquidificador, juntar todos os ingredientes para o creme. Triturar bem até obter uma consistência homogénea. Retificar os temperos, se necessário.

Para as tostas, juntar todos os ingredientes secos e misturar. Adicionar a água e o azeite e bater levemente. Deixar repousar durante 20 minutos.

Espalhar a mistura num tabuleiro forrado com papel vegetal. Levar ao forno pré-aquecido a 160º durante 20 minutos.

Retirar do forno e, com uma faca afiada, traçar as linhas das tostas, sem cortar completamente.

Voltar a levar ao forno mais 40 minutos. Desligar o forno e deixar a terminar a cozedura mais 10 minutos.

Retirar do forno e cortar de acordo com as linhas desenhadas.

Num prato, colocar uma tosta. Barrar com o creme. Dispor as estrelas de beterraba por cima e temperar com sal e pimenta. Guarnecer com algumas folhas de rúcula.
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